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Terremoto no México foi tão forte que dividiu placa tectônica em duas

O terremoto Tehuantepec, ou Puebla-Morelos, que atingiu o México em 7 de setembro de 2017 foi mais intenso do que os cientistas sabiam. Ao alcançar a magnitude 8,2, ele quebrou uma placa tectônica, conforme apontou um novo estudo publicado na revista Nature Geoscience.

"Se você pensar nisso como uma grande placa de vidro, a ruptura causou uma grande rachadura", disse o sismólogo Diego Melgar, da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, em entrevista à National Geographic. "Todas as indicações são de que rompeu toda a largura da coisa."

O fenômeno Tehuantepec e o terremoto de magnitude 7,1, que se seguiu em 19 de setembro, foram tipos raros. Após a colisão, as placas tectônicas começaram a escorregar por baixo da outra. Isso dobra a placa tectônica, que se estende até certo ponto e se rompe, resultando em um violento terremoto. Estes acontecimentos são chamados terremotos tectônicos,já que ocorrem a uma distância considerável do limite da placa tectônica.

Mais uma vez, porém, Tehuantepec foi diferente. Melgar e sua equipe descobriram que a placa Cocos se rompeu na parte inferior da placa tectônica, onde deveria estar comprimida, a uma profundidade de cerca de 80 quilômetros. 

E isso é outro problema. Na parte inferior da placa tectônica, as temperaturas atingem 1,1 mil graus Celsius. Isso deveria tornar a rocha macia e elástica demais para que pudesse se romper. Contudo, de acordo com os dados do estudo, a ruptura aconteceu.

Os pesquisadores apresentaram duas explicações. A primeira é que a força gravitacional que puxa a placa tectônica para baixo está usando força suficiente para contrabalançar o estado mole da rocha.

A segunda é que a água do mar poderia estar se infiltrando na falha, levando temperaturas mais baixas e ocasionando reações com os minerais na rocha, aumentando a sua fragilidade.  

"O deslizamento até o geoterma de 1.100°C requer um desvio do modelo térmico, sugerindo uma injeção profunda de fluidos a partir de cima e o resfriamento do local da falha", escreveram os pesquisadores.

O epicentro do terremoto de Tehuantepec aconteceu no lado terrestre da falha. Diversos prédios foram destruídas, 98 mortes foram confirmadas e diversas outras pessoas ficaram feridas. O fenômento também gerou um tsunami, com ondas alcançando 1,75 metros acima do nível da maré. De acordo com os especialistas, saber o que causou a ruptura da placa do Cocos poder ajudar a planejar e aliviar as consequencias de tais eventos no futuro.

Fonte: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2018/10/terremoto-no-mexico-foi-tao-forte-que-dividiu-placa-tectonica-em-duas.html