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Banco genético nos EUA tenta evitar a extinção de animais

Toda vez que um animal ameaçado de extinção morre no zoológico de San Diego, os pesquisadores vão até o local, independentemente do horário, para retirar esperma e óvulos, além da orelha e do globo ocular. A missão tem um objetivo único: congelar as células dos animais no nitrogênio líquido para que se tornem parte do maior banco genético animal – apelidado de “Frozen Zoo” (Zoológico Congelado, em tradução livre).

Os tanques de aço inoxidável do Frozen Zoo guardam o material genético de mais de 10.000 animais de mais de 1.000 espécies e subespécies.

Atualmente, a sobrevivência de espécies ameaçadas de extinção, como o rinoceronte branco — do qual só restam cinco espécimes no planeta -, pode depender desse banco genético. Os frascos com as células podem até mesmo ser usados em experiências para ressuscitar animais extintos recentemente, como o pássaro Hawaiian Po’ouli.

O trabalho do “Frozen Zoo” começou quando o rinoceronte branco de 42 anos, Angalifu, que vivia no zoológico, morreu de câncer em dezembro. Os cinco animais restantes dessa espécie são incapazes de se reproduzir.

Os cientistas começaram a correr contra o relógio para encontrar a melhor maneira de utilizar o esperma congelado no banco genético para criar um outro rinoceronte branco antes da espécie se extinguir, o que poderia acontecer dentro de uma década.

O banco é um arquivo genético que tem ajudado na inseminação artificial, fertilização in vitro, clonagem e na utilização de células-tronco.

Com espécies sendo extintas numa velocidade rápida, os zoológicos acabam assumindo papéis importantes na conservação e na hora de decidir quais são os animais em que vale a pena concentrar os esforços para salvar. Muitos críticos acreditam que tais recursos deveriam ser usados somente para espécies que ainda têm chances de recuperação.

O habitat natural do rinoceronte branco é em países devastados pela guerra, como o Sudão e o Congo, e que são incapazes de deter os caçadores, que matam esses animais para vender seus chifres — artigo cobiçado na Ásia por ser considerado afrodisíaco.

Além das questões de habitat natural, existe ainda a dificuldade de produzir descendentes em número suficiente para evitar a consanguinidade (relação entre indivíduos que apresentam grau de parentesco).

“Nós podemos fazer todos os tipos de coisas, mas uma coisa é criar um ou outro animal, e outra é conseguir criar uma população sustentável do ponto de vista genético”, afirma George Seidel, professor da Universidade Estadual do Colorado, que tem feitos estudos sobre ressuscitar um mamute.

Os desafios, no entanto, não são intransponíveis para as espécies criticamente ameaçadas ou possivelmente em extinção, na opinião de Barbara Durrant, diretora de fisiologia reprodutiva no Zoológico de San Diego, que abriga o “Frozen Zoo”. “Nós não estamos muito interessados em trazer de volta os dinossauros ou mamutes. Não há realmente nenhum lugar para eles agora”, afirma.

O “Frozen Zoo” detém culturas de células a partir de 12 rinocerontes brancos – mais do que a população que vive no local. “Já houve outras espécies que voltaram a ter uma população maior, então nós pensamos que há uma boa razão para fazermos isso com o rinoceronte branco”, afirma Durrant.

Os espermas do banco genético têm sido utilizados em inseminações artificiais para reproduzir animais em extinção desde o panda gigante até o faisão chinês. As células congeladas também já foram usadas para clonar dois tipos de gado ameaçados. O gauro – um bisão indiano – viveu apenas alguns dias, enquanto o banteng – também conhecido como tembadau – sobreviveu por sete anos até quebrar uma perna. No entanto, ambos animais tinham defeitos genéticos.

O rinoceronte branco e o Mandrillus leucophaeus – espécie relacionada aos babuínos e ao mandril – foram os primeiros animais em vias de extinção que tiveram suas células-tronco obtidas e armazenadas no “Frozen Zoo”.

Teoricamente, as células-tronco podem produzir qualquer tecido do corpo. Isso significa que as células-tronco de um rinoceronte macho poderiam produzir tanto esperma quanto óvulos em laboratório, mas o método só foi testado uma vez em ratos. 

Fonte: UOL/Ambientebrasil